Augusto Filipe Simões (Coimbra, 18 de Junho de 1835 - Coimbra, 1 de Fevereiro de 1884) foi um arqueólogo e professor universitário português.

Biografia Nasceu em 18 de Junho de 1835, na cidade de Coimbra. Formou-se em filosofia em 1855 e em medicina em 1860, em ambos os casos com distinção. Em 1872 concluiu o doutoramento na Faculdade de Medicina de Coimbra. Logo após o final do curso começou a trabalhar como professor de medicina na Universidade de Coimbra, e ao mesmo tempo foi logo colocado no concelho de Góis como médico, tendo exercido ali entre Outubro de 1860 e Junho de 1862. Nesse ano passou a ensinar a cadeira de história no Liceu de Évora, e em 1863 começou a colaborar na Biblioteca Municipal daquela cidade. Naquele edifício, foi responsável pela realização de grandes obras de reestruturação, que possibilitaram a sua posterior expansão. Em 1863, fez uma proposta para que fossem demolidas as partes medievais do Templo romano de Évora, no sentido de a restituir à aparência original romana. Dirigiu o jornal Folha do Sul entre 1864 e 1865, tendo publicado naquele periódico os trabalhos Relatorio acerca da Bibliotheca Publica de Evora, dirigido ao Ministerio do Reino, A invenção dos aerostados revindicada, de 1868, e Relatorio acerca da restauração Cenaculo, dirigido ao Exmo. Sr. Visconde da Esperança, presidente da Câmara Municipal de Evora, de 1869. Além destes, também escreveu um grande número de trabalhos, tanto em livros como em periódicos, sobre arqueologia e outros temas, incluindo Cartas da Beira-Mar, publicado na Imprensa da Universidade de Coimbra em 1867, Reforma da Instrucção secundaria. Parecer apresentado ao conselho do Lyceu Nacional de Evora, na Tipografia Lisbonense em 1869, Reliquias da architectura bysantina em Portugal, e particularmente na cidade de Coimbra, na Tipografia Portuguesa em 1870, Relatorio da Santa Casa da Misericordia de Evora, pela comissao dissolvida em 19 de janeiro de 1872, e posteriormente Introducção à archeologia da Peninsula. Segundo a revista O Occidente, o seu trabalho mais importante, do ponto de vista da arqueologia, foi Reliquias da architectura bysantina, destacando-se igualmente a Introducção à archeologia da Peninsula, que representou a Universidade de Coimbra durante as comemorações do terceiro centenário da Universidade de Leiden, na Holanda, em 1873. Em 1873 tornou-se professor substituto na Faculdade de Medicina, entre 1879 e 1880 foi bibliotecário na Universidade de Coimbra, e em 1881 tornou-se deputado às cortes pelo círculo eleitoral daquela cidade. Foi promovido a professor catedrático da Universidade de Coimbra em 24 de Agosto de 1883. Foi membro de várias comissões, nomeadamente a que estudou a reforma da Academia de Belas Artes e a criação do correspondente museu, e a da Exposição retrospectiva de arte ornamental hespanhola e portugueza, organizada em 1882 na cidade de Lisboa. Com efeito, teve um papel de relevo naquele evento, especialmente no processo de catalogação. Também se distinguiu como arqueólogo, tendo sido um dos principais responsáveis pela organização da divisão de arqueologia no Instituto de Coimbra. Faleceu no dia 1 de Fevereiro de 1884, tendo o seu corpo sido encontrado numa sala subterrânea da Universidade de Coimbra, com sinais de estrangulamento, pelo que a sua morte foi classificada como um suicídio. Segundo a revista Occidente, o seu suicídio terá sido causado por problemas hereditários, uma vez que tanto o seu pai como o seu tio morreram afogados no Rio Mondego, e a sua situação psicológica, já fragilizada, terá-se-á deteriorado por uma dívida financeira. Em 16 de Maio de 1918, o seu nome foi colocado na antiga Rua do Penedo da Saudade, em Coimbra. Na proposta de renomeação refere-se que «Augusto Filipe Simões, lente da Universidade, já falecido, além do professor ilustre, foi um arqueólogo notável que estudou com amor e rara proficiência os antigos monumentos de Coimbra, e tendo-se em vista a circunstância de ele ter vivido durante algum tempo na casa situada na Av. Marnoco e Sousa, em frente da rua n.o 2 do Bairro do Penedo da Saudade».

Referências