Vinicius Passarelli

Petistas vão ao MPF contra fechamento de metrô no ato de Lula na Paulista
Petistas vão ao MPF contra fechamento de metrô no ato de Lula na Paulista · Imagem: Ricardo Stuckert

Documento alega que participantes do ato pró-Lula na Av. Paulista tiveram dificuldades para acessar o metrô na dispersão da manifestação

Petistas vão ao MPF contra fechamento de metrô no ato de Lula na Paulista
Petistas vão ao MPF contra fechamento de metrô no ato de Lula na Paulista · Imagem: Source: www.metropoles.com

Vinicius Passarelli

13/10/2026 10:42

Ricardo Stuckert

O deputado estadual reeleito Emídio de Souza (PT) e o advogado Marco Aurélio de Carvalho, do Grupo Prerrogativas e um dos coordenadores da campanha de Lula em São Paulo, apresentaram uma notícia de fato em que pedem a apuração de possível abuso de poder político e desvio de finalidade na atuação de órgãos do governo de São Paulo durante o ato de apoio ao candidato do PT na Avenida Paulista no último domingo (11/10).

O documento foi protocolado nessa segunda-feira (12/10) na Procuradoria-Geral Eleitoral, no Ministério Público Federal (MPF) e no Ministério Público de São Paulo (MPSP). Os autores justificam o envio à Procuradoria-Geral Eleitoral, e não à Regional, porque o possível abuso se projetaria sobre a disputa presidencial, de competência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“O instrumento estatal pode ser paulista; a eleição sobre a qual se projeta o possível abuso não o é”, diz trecho da representação.

De acordo com a notícia de fato, na dispersão do ato, que teve a presença de Lula e reuniu milhares de apoiadores do candidato, os participantes teriam enfrentado dificuldades para usar o metrô.

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Ainda segundo a denúncia, a estação Trianon-Masp foi fechada e ficou sem acesso até cerca de 16h30. Houve queixas também sobre as estações Consolação, Brigadeiro, Paraíso, Paulista e Higienópolis-Mackenzie.

O Metrô informou ter acionado seu plano de controle de multidões, procedimento que, segundo a empresa, é adotado quando a concentração supera a capacidade de uma estação, como no Réveillon.

“Em razão da grande concentração de pessoas, o Metrô adotou medidas de reforço operacional e controle de fluxo para garantir a segurança dos passageiros. Na ocasião, essas medidas incluíram o aumento da oferta de trens, ampliação do quadro de funcionários e o fechamento temporário da estação Trianon-MASP, com direcionamento dos passageiros para as estações Consolação e Brigadeiro, ambas na Avenida Paulista, que permaneceram abertas”, disse o governo em nota.

Os autores questionam a forma como o fechamento da estação foi realizado e argumentam que fechar portões diante de pessoas que queriam deixar a região pode ter contribuído para concentrá-las do lado de fora.

Divergência de versões

Outro ponto levantado no documento é uma suposta divergência entre as versões oficiais. À noite, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) relatou à imprensa ocorrências de “tumulto, pichações e depredação” durante a dispersão. Procurado, o Metrô disse não ter registros internos de vandalismo ou danos nas estações da Paulista.

O documento diz que as ocorrências citadas pela PM podem ter acontecido fora das estações, em outros horários ou ter sido registradas depois, e lembra que a própria cobertura jornalística apontou que as imagens da pichação na cobertura da entrada da Trianon-Masp, isoladamente, não permitiam saber quando ou por quem ela foi feita.

Contexto eleitoral

Os autores destacam que, enquanto ocorria o ato pró-Lula, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participava, também na capital paulista, de um encontro de campanha com Flávio Bolsonaro (PL), voltado à mobilização do segundo turno.

O texto ressalta que não há ilícito em o governador apoiar o candidato de sua preferência, mas afirma que a SSP, a PM e o Metrô “não herdam as preferências eleitorais do governador”.

“A investigação não pode terminar no agente que fechou o portão. Deve alcançar a cadeia de comando”, diz o documento.

Apesar disso, a notícia de fato diz que “não se afirma, neste momento, que Tarcísio de Freitas tenha determinado as medidas narradas” e sustenta que eventual participação, conhecimento, anuência ou interferência deve integrar a investigação, porque os órgãos envolvidos pertencem à estrutura que ele chefia e porque ele estava engajado na campanha que poderia ser beneficiada.

Em nota, o Governo de São Paulo afirma que atuou para garantir a “ordem pública e a segurança dos participantes da manifestação realizada no domingo (11), na Avenida Paulista. A Polícia Militar acompanhou o ato e a dispersão dos manifestantes”.

“Estratégias de controle de multidão são regularmente adotadas em eventos de concentração massiva, como ocorre no Réveillon, ou em casos de falhas operacionais que reduzam a capacidade de atendimento das estações. Esses procedimentos já foram utilizados recentemente em atos de grupos de diferentes motivações, sempre com base no monitoramento constante da demanda e critérios operacionais de segurança e capacidade de atendimento do sistema”, disse a gestão estadual.