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Círio de Nazaré: conheça a história da procissão que reúne milhões de fiéis há mais de 230 anos em Belém
Círio de Nazaré: conheça a história da procissão que reúne milhões de fiéis há mais de 230 anos em Belém · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Tradição iniciada no século XVIII nasceu de um relato sobre o encontro de uma imagem de Nossa Senhora; reconhecida pela Unesco, celebração mistura fé, promessas e cultura paraense

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Círio de Nazaré 2026 — Foto: Divulgação

Realizado no segundo domingo de outubro, o Círio de Nazaré voltou a reunir milhões de fiéis em Belém, no Pará, neste domingo (11). Em sua 234ª edição, a principal procissão percorreu 3,6 quilômetros sob o tema “Maria, Missionária que nos dá Jesus”, com expectativa de público de 2,3 milhões de pessoas. A celebração, que mobiliza a capital paraense todos os anos, tem origem em uma história de devoção que remonta a 1700.

A origem da devoção

Segundo a tradição religiosa, o Círio começou quando o caboclo Plácido José de Souza encontrou uma pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré às margens do igarapé Murutucu, em Belém. A história conta que ele levou a imagem para casa, mas ela teria desaparecido e sido encontrada novamente no mesmo lugar. O episódio se repetiu, levando Plácido a construir uma pequena capela para abrigá-la, no local onde hoje fica a Basílica Santuário de Nazaré. O relato é considerado o marco inicial da devoção na região.

A primeira procissão oficial foi realizada em 8 de setembro de 1793, por iniciativa do então presidente da Província do Pará, Francisco de Souza Coutinho. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a celebração ocorreu após uma promessa feita pelo governante, que teria pedido a cura de uma doença. Recuperado, ele organizou o cortejo para agradecer à santa. Em 1901, a data da procissão principal foi fixada no segundo domingo de outubro.

Corda e berlinda: símbolos de fé e promessa

Ao longo dos séculos, a celebração incorporou símbolos que se tornaram parte da identidade do Círio. A berlinda, estrutura ornamentada que transporta a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, passou a ser utilizada em 1882. Já a corda, puxada por promesseiros, tornou-se um dos elementos mais emblemáticos da procissão.

Para muitos devotos, segurar a corda representa uma forma de agradecer por graças alcançadas ou cumprir promessas feitas à santa. O objeto também esteve no centro de um dos episódios da edição deste ano: durante a Trasladação, realizada na noite deste sábado (10), a corda se rompeu em diferentes pontos do cortejo, provocando atrasos e levando fiéis a disputar fragmentos do material.

Patrimônio cultural e identidade paraense

A importância do Círio ultrapassa o aspecto religioso. Em 2004, a celebração foi registrada pelo Iphan como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Nove anos depois, em dezembro de 2013, recebeu o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A instituição destacou a diversidade de práticas culturais, a solidariedade entre os participantes e a transmissão da tradição entre gerações.

A festa reúne procissões, homenagens, manifestações culturais e rituais de agradecimento que mobilizam moradores e visitantes. Em 2026, o tema “Maria, Missionária que nos dá Jesus” orientou as celebrações e destacou, segundo a organização religiosa, a ideia de Maria como aquela que leva Jesus aos outros. Mais de três séculos após o relato que deu origem à devoção, o Círio permanece como uma das principais expressões da fé católica e da identidade cultural do Pará.

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