A situação de vida da população do extremo norte da ilha de São Tomé se agravou nos últimos 12 meses, também por causa do atraso na obra de construção da ponte sobre o rio Lembá.

Em junho de 2025 quando o primeiro-ministro Américo Ramos lançou a pedra para o arranque das obras, o projecto de construção que tinha sido levado a concurso público não previa a realização do estudo geotécnico do subsolo do rio Lembá.

Adelino Cardoso, director do Instituto Nacional de Estradas que visitou a ponte de Lembá, rejeitou a hipótese de o acto do primeiro-ministro ter sido precipitado.

«Não foi precipitado. Tínhamos em mãos um projecto que foi a concurso, mas carecia de alguns estudos técnicos, que tinha a ver com os estudos geotécnicos que na altura não foram feitos em detalhes», defendeu o director do Instituto Nacional de Estradas.

Começa assim o atraso de 1 ano na obra de construção da maior ponte do país. Segundo Adelino Cardoso, o país não tem equipamentos para fazer a perfuração do solo e o laboratório nacional de engenharia civil não tem tecnologia para lidar « com este tipo de ensaio».

No entanto, a realização do estudo geotécnico pela empresa construtora, permitiu constatar que os pilares da ponte antiga que ruiu após a tempestade de dezembro de 2021 estavam fincados sobre um lamaçal de 13 metros de profundidade.

«Quando o empreiteiro começou a fazer os estudos geotécnicos constatamos que o solo não era rocha dura. Então tivemos de fazer uma escavação de mais de 30 metros de profundidade para estudar o solo. As amostras foram enviadas para análises no exterior», explicou.

Os resultados saídos do laboratório de engenharia no exterior do país revelaram que projecto de construção tinha de ser refeito. «Denotou-se que existem 13 metros de lama no subsolo do rio. O projecto foi alterado e a obra vai ser feita por estacas de betão de 30 metros de profundidade para aguentar o peso da ponte», acrescentou Adelino Cardoso.

Inicialmente avaliado em 11,3 milhões de dólares, o orçamento para a construção da maior ponte do país vai conhecer um aumento do valor.

«Temos um GAP financeiro porque vamos fazer várias estacas em betão de 30 metros de profundidade, desde o encontro até os pilares. O projecto inicial não previa a realização de estacas», confirmou.

A população da região norte da ilha de São Tomé nunca foi informada sobre os problemas técnicos que provocaram o atraso de 1 ano na obra da ponte Lembá. Gilson Sacramento, motoqueiro que transportava os vinhateiros e agricultores entre as duas margens do rio Lembá teceu críticas à equipa do Instituto Nacional de Estradas envolvendo as empresas de construção e de fiscalização da obra.

Adelino Cardoso, reconheceu que a população tem razão de criticar e reclamar. «Aqui faltou a comunicação», precisou.

Agora com os estudos geotécnicos realizados, o director do Instituto nacional de Estradas garantiu que o novo projecto de construção da ponte já foi aprovado pela entidade financiadora, o Banco Mundial, e que as obras vão começar imediatamente, com conclusão em 2027.

«Inicialmente prevíamos 24 meses. Mas não se vai cumprir, pois neste ano já deveríamos estar com a obra avançada. Já temos as condições técnicas para começar, porque já temos o novo projecto aprovado, e em 12 meses teremos a ponte concluída. Dou a minha garantia, em 2027 teremos a conclusão da ponte», pontuou.

O empreiteiro já começou a construir residências para reassentar algumas famílias que residiam próximo do local da obra. Por outro lado, para fixar o estaleiro da obra foram construídas 4 salas de aulas para os alunos da escola da comunidade de Lembá.

Abel Veiga

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